A evolução do biodiesel

02/11/2011

De acordo com a Aprobio (Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil), o país deve concluir 2011 como o maior mercado consumidor de biodiesel do mundo. Passando inclusive a Alemanha, o Brasil deve produzir e consumir cerca de 2,8 bilhões de litros do combustível, correspondendo a um aumento de 17% em relação ao ano anterior. Já o país europeu aumentou seu consumo de 2,4 bilhões de litros para 2,6 bilhões de litros.

O maior produtor passou a ser a Argentina que aumentou de 2,1 bilhões de litros para 3,2 bilhões de litros de produção. O Brasil em questão de produção tem cerca de 50% de capacidade ociosa, mas ainda está longe ser o maior produtor. Isso ocorre porque o mercado interno ainda é limitado, uma vez que o biodiesel não é comercializado para o consumidor final e corresponde a apenas 5% da mistura com o diesel de acordo com a lei. Além disso, existe a falta de competitividade para exportação por causa de tributos, câmbio e demais custos.

O setor já tem discutido há algum tempo o aumento da porcentagem na mistura com o diesel. Sua intenção é a adoção de um novo plano nacional de biodiesel que consiste no aumento gradual na quantidade de mistura do produto final, chegando a 20% até 2020. A capacidade de produção ociosa já citada pode suprir essa nova demanda, afinal foram investidos 4 bilhões de reais desde o lançamento plano nacional de biodiesel. Esse incentivo proporcionou uma capacidade de processar até 6,1 bilhões de litros neste ano.

Embora a composição atual seja de 5%, o planejamento inicial era chegar a essa quantidade apenas em 2013. No entanto, esse aumento foi antecipado para diminuir a quantidade de diesel importado. Segundo projeção da Aprobio, a ampliação da mistura para 20% pode significar um investimento do setor de 28 bilhões de reais até 2020. Também é defendida a adoção de uma política de exportação baseada em redução de impostos e incentivos para estimular novas fontes de matéria-prima. No momento, 85% da produção de biodiesel é feita a partir da soja.

O crescimento atual desse combustível e a possível evolução desse setor podem ser muito favoráveis ao mercado de combustíveis do país. Não só podemos diminuir nossa dependência com importações, como também evoluir na exportação e na utilização de combustíveis menos poluentes. Por isso, devemos continuar atentos a essa discussão e observar as mudanças que podem ocorrer no mercado devido à evolução do biodiesel.

Domingos Malfará é entrevistado sobre o Congresso de Biodiesel 2011

03/08/2011

Entre os dias 27 e 29 de julho ocorreu o Congresso de Biodiesel 2011. Como esse evento discutiu temas importantes para o setor, decidimos compartilhar com você mais informações sobre o assunto.
Para isso realizamos uma entrevista com Domingos Benedito Malfará, participante desse evento como diretor do Brasilcom (Sindicato das Distribuidoras Regionais Brasileiras de Combustíveis). Domingos também é diretor executivo da Ruff e se disponibilizou a responder nossas perguntas, veja a seguir a entrevista.

1. O que é esse evento?

Domingos: O Congresso de Biodiesel 2011 tem como objetivo discutir assuntos relevantes para o setor. O tema desse ano foi “Além do B5*”.

2. Qual é a sua finalidade?

D.: Apresentar a atuação dos diversos atores do segmento e o atual estágio do biodiesel no Brasil, para então refletir sobre a viabilidade de ir além do B5.

3. Como foi a participação do Brasilcom nesse evento?

D.: O Brasilcom foi convidado a presidir a mesa no segundo dia do evento.

4. Quais os principais temas abordados?

D.: -Evolução do Mercado Nacional e Balanço Socioeconômico;

-Analises: Dinâmica de Mercado, Incentivos;

-Desafios Internos e para Exportação;

-Experiência Mercado Europeu;

-Diversificação de Fontes Alternativas de Matéria-prima;

- Biodiesel de Cana

5. De que forma esse evento pode influenciar o mercado?

Pode contribuir para formar ou ratificar opiniões e ainda desencadear sugestões em direção a melhorias do programa.

6. Quais foram as principais conclusões do evento?

Há grandes virtudes no programa para o desenvolvimento econômico, a inclusão social e principalmente melhoria ambiental. Foi observado que o biodiesel tem alguns desafios a enfrentar nas questões de logística, modelo de comercialização, qualidade, manuseio e armazenagem. Foi possível ainda concluir que existe uma sinalização clara de que podemos ir além do B5 internamente. No entanto, ainda temos barreiras internacionais e em especial européias para exportação, com relação à certificação ambiental e a necessidade de algumas alterações de especificação de nosso produto.

* B5: Diesel com mistura obrigatória de 5% de biodiesel.

Você já conhecia esse congresso? Gostou do que foi discutido? Saiba mais sobre o evento através do site Biodiesel Congress. Aproveite também para deixar suas perguntas e comentários abaixo, pois gostamos de manter o diálogo com vocês.

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