Novo projeto pode evitar a quebra de safra da cana-de-açúcar

08/09/2011

Para evitar a quebra de safra e garantir o abastecimento do país, o ministro da integração nacional, Fernando Bezerra Coelho, deve apresentar na próxima semana um projeto para levar mais usinas de etanol à região do semiárido brasileiro. Com novas usinas no Nordeste, essa proposta busca aumentar a produção desse combustível no Brasil e ainda estimular o programa de irrigação na região. Calcula-se que o investimento nessa região poderá chegar a R$ 5 bilhões por meio de PPPs (parceria público-privadas).

A maior vantagem do Nordeste é que suas condições são as melhores para o cultivo da cana-de-açúcar. Com boa irrigação, clima seco, grande exposição à luz solar e chuvas concentradas em poucos meses, suas características são ideais para esse investimento. De acordo com constatações da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a cana plantada nessa região pode produzir até 200 toneladas por hectare, isto é, se estiver no ciclo mais alto.

Essas condições ideais também podem ajudar a evitar a quebra da safra. Uma vez que o principal fator que levou a redução da produtividade da cana foi o clima, assim como acontece esse ano com a safra da região centro-sul. Com isso, já estamos notando a elevação dos preços de combustível por conta da escassez de etanol.

Ainda focado no projeto, Coelho visitou a Austrália a convite do Banco Mundial para conhecer programas de irrigação de culturas. Também teve a oportunidade de saber mais sobre o agave (planta semelhante à babosa) que é uma planta alternativa à cana-de-açúcar na produção de etanol. Sendo uma planta bastante conhecida por produzir tequila, o agave será estudado pela Embrapa e pela Codevasf. A intenção desse estudo é viabilizar a produção de etanol através dessa planta e com isso também evitar a quebra de safra.

Segundo estudos, a produção de etanol por hectare de agave é superior à de cana, com a possibilidade de chegar ao dobro. Essa planta ainda tem compatibilidade com o semiárido, sendo também ideal para esse novo projeto. O ministro deve apresentar essa proposta à presidente Dilma nessa semana, por isso devemos continuar atentos e observar como essa ação caminhará. O que você acha dessa possibilidade?

A baixa produção gera a necessidade de importar etanol

18/08/2011

Já havíamos observado que a produção dessa safra seria reduzida por causa do baixo índice de ATR (Açúcares Totais Recuperáveis), da chuva e da seca de 2010. Esse fenômeno, que tem afetado principalmente as usinas do Centro-Sul, pode antecipar o final da safra de cana-de-açúcar para outubro. Em geral esse fim ocorreria no mês de dezembro, mas diante dessa situação existe a possibilidade das usinas anteciparem essa data e consequentemente o preço do etanol aumentar.

A Unica (União das Indústrias da Cana-de-açúcar) afirma que algumas usinas deverão rever seus cronogramas anuais de acordo com a sua produção. Sabemos ainda, que as usinas mais afetadas estão no estado de São Paulo, Minas Gerais e note do Paraná e que algumas já anunciaram essa antecipação.

A questão do ATR tem grande influência nesse fenômeno, uma vez que os canaviais do Centro-Sul já estavam com produtividade reduzida. Como eles estão velhos e as frentes frias tem sido intensas, a qualidade da cana foi prejudicada devido ao seu florescimento. O problema é que esse processo faz com que a planta tenha um crescimento acima da média, utilizando os nutrientes de sua parte de baixo que são matéria-prima do etanol e do açúcar. O adiantamento do início da colheita poderia amenizar esse problema, sendo que o tempo normal seria de 12 meses. A grande consequência dessa questão é que o baixo ATR leva a redução de preço e ainda ao baixo rendimento.

Mesmo com as linhas de crédito do governo para o setor sucroenergético, o aumento da produção pode ocorrer somente no final de 2012, afinal o canavial leva entre oito e nove meses para começar a produzir. Para melhorar essa situação para os próximos anos, o governo precisará continuar a apoiar esse setor, proporcionando novos incentivos e estratégias.

Ainda nesse ano a Petrobrás Bicombustível (PBio) pretende aumentar a importação de etanol para a entressafra, segundo informou seu presidente Miguel Rosseto. Informou também que todas as companhias do setor compraram juntas aproximadamente 400 milhões de litros em 2011, frisando o que já foi importado e que a PBio ainda pretende comprar mais até o final do ano. Essa ação poderá compensar a baixa produção de etanol, segurando a demanda na entressafra e ainda evitando um grande aumento dos preços.

No entanto Rosseto disse que o Brasil continuará a exportar etanol, atingindo até 2 bilhões de litros nesse ano, segundo previsões baseadas em contratos de longo prazo. Embora as exportações e importações estejam aumentando e possivelmente mantendo o equilíbrio no mercado, ainda devemos continuar a observar essa situação. Assim podemos planejar para as novas ações do governo e para a próxima entressafra.

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