De olho no consumo

14/12/2011

Mesmo com grande demanda, o ritmo do consumo de combustíveis reduziu no país. Nesse terceiro trimestre o crescimento foi de apenas 5% em comparação com o mesmo período do ano passado. Isso ocorre porque o ritmo da economia brasileira está em queda, uma vez que o PIB (Produto Interno Bruto) está estagnado. Outro motivo é a migração do consumo do etanol para a gasolina em razão dos problemas de preço, produção e escassez relacionados a esse combustível.

O cálculo do crescimento é feito partir da soma do volume total consumido desses dois combustíveis mais o diesel, como cada litro de etanol equivale a 0,7 litro de gasolina, essa migração contribuiu para a redução do volume de consumo total. Com isso, a gasolina teve um aumento médio de 18% em consumo, porém o etanol teve uma redução de cerca de 20%. Já em 2010 o consumo total do ano teve um crescimento de 9% em comparação com 2009.

Ainda que menor, a demanda por combustíveis continua crescendo, mantendo a necessidade de se atentar a sua oferta. Especialmente porque o etanol está com uma produção muito abaixo do previsto, uma vez que nesse ano era preciso tê-la aumentado. Segundo informação recente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), a moagem de cana no Centro-Sul teve queda de 10,2% até o mês de novembro, equivalendo a 488,46 milhões de toneladas. Isso causou uma diminuição de 17,71% na produção de etanol com 20,3 bilhões de litros produzidos.

Com isso, é bastante recomendado prestar atenção no consumo do país, pois pode dar um fôlego na questão de produção ou demandar ações imediatas para reverter alguma situação. Você acha que essa porcentagem vai desacelerar mais ainda?

A situação atual do Etanol e suas previsões para o futuro

29/07/2011

Comentamos há pouco tempo em nosso blog sobre a decisão do governo que tinha o intuito de diminuir a proporção de etanol anidro na gasolina de 25% para 18%. Isso foi decidido em razão da menor produtividade da safra desse ano para evitar a falta etanol no mercado interno. No entanto, o governo já está com dúvidas se essa é a melhor medida para controlar o preço e a demanda do etanol.

Embora seja uma ação muito considerada, ela pode não ser colocada em prática devido ao tempo que leva para surtir efeito, o risco de voltar a pressionar os preços da gasolina e a atual estabilidade do mercado. O próprio setor sucroalcooleiro reclama da mudança de percentual por ser imprevisível e a curto prazo, não favorecendo a formação de estoques.

Como de acordo com técnicos a situação chegou a um equilíbrio, a prioridade passou ser o estabelecimento de metas para 2012. Entre elas está a possibilidade de o BNDES e outros bancos públicos só financiarem novos projetos de plantas de etanol e não de açúcar. Está previsto também maior verba para produção e estocagem desse combustível.

O governo também pretende melhorar essa situação a partir do setor automotivo. Seu intuito é incentivar a fabricação de veículos com motores de melhor desempenho, através da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Dessa forma a demanda por combustíveis se tornaria menor no país, uma vez que são carro que de maior rendimento. Essa ação já está sendo tratada com as montadoras.

Embora seja afirmada uma atual estabilidade de preços, analistas já prevêem que a oferta de cana será 25% inferior à demanda de etanol. Segundo estudos a maioria dos automóveis flex são abastecidos com esse combustível, sendo que a frota bicombustível brasileira contava com 2,79 milhões de veículos em 2010. Já em 2003 contava com apenas 48,2 mil automóveis, evidenciando o grande crescimento da demanda pelo etanol.

Essa necessidade tende a aumentar, uma vez que só nos últimos cinco anos tivemos um crescimento de frota flex em 23% ao ano sendo que o aumento do volume de cana moída foi de apenas 8%. De acordo com analistas, se essa taxa de aumento da frota se mantiver, teremos uma defasagem de 25% entre oferta e demanda nos cinco anos seguintes. Calcula-se que serão produzidas 780 milhões de toneladas, porém a necessidade projetada será de 980 milhões. Isso ainda pode significar um déficit de 40% em dez safras e insuficiência já na safra de 2011.

Mesmo com essa possível situação, sabemos que o governo já está tomando atitudes para evitar a escassez de combustíveis e consequentemente seus preços elevados. Para evitar surpresas, devemos continuar a observar essas medidas e também planejar de acordo. Por isso, continue acompanhando de perto com a Ruff e nos mande suas dúvidas e nossos comentários.

Fonte:
Estadão

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